1. Apresentação

A Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada, criada pelo Decreto Estadual N.º 2.217, de 14/07/93, e ampliada  pelo Decreto Estadual N.º 8.650 de 22/09/2003 está localizada no litoral sul do Estado, no Município de Ilhéus, a 34 km da sede municipal. São 11.800 hectares  de Floresta Ombrófila densa, associada ao cultivo de cacau, além de manguezais, restingas e cachoeiras.

A proteção da área foi proposta pela Prefeitura de Ilhéus, para ampliar e assegurar a vocação turística da cidade, permitindo que o visitante possua mais uma alternativa de lazer. A rica fauna aquática representada principalmente por peixes, como robalos e carapebas, serve de sustento às comunidades ribeirinhas, aliada ao turismo que vem sendo uma nova opção de renda no local.

2. Características Gerais

A área possui, como principais unidades fisiográficas, a linha de praia com restinga, a planície flúvio-marinha com manguezal, a planície aluvial com várzea e brejos, as encostas das falésias e, finalmente, os tabuleiros ou altiplanos, com vegetação em estágios distintos de regeneração.

A Lagoa Encantada e seus ecossistemas aquáticos adjacentes oferecem a possibilidade de um passeio único entre meandros e florestas ribeirinhas, com a presença de rica avifauna silvestre, semelhante aos ecossistemas típicos da Região Amazônica.

3. Aspectos Bióticos

3.1. Flora

A vegetação local é típica do bioma da Mata Atlântica com seus ecossistemas associados, onde possuem fisionomia diversificada e características específicas. A Floresta Ombrófila densa caracteriza-se por apresentar predominância de árvores com grande porte, com alturas que variam de 20 a 40 metros e folhagem sempre verde.

De acordo com estudos feitos na região esse é o ecossistema mais rico do mundo em número de espécies arbóreas, sendo considerado uma área prioritária para conservação em nível mundial.

Atualmente, a floresta encontra-se bastante modificada pela ação do homem, possuindo apenas pequenos remanescentes naturais pouco alterados. Dentre as espécies arbóreas de importância econômica, destacam-se o cedro (Cedrela odorata), o vinhático (Plathymenia foliolosa) e o angelim (Andira stipulacea).

A restinga apresenta plantas com caraterísticas adaptadas às condições de elevada salinidade, insolação e aos ventos fortes comuns na faixa litorânea, tendo, portanto, folhas coriáceas  e troncos retorcidos, com predominância de arbustos formando agrupamentos em alternância com o estrato herbáceo. Sua flora abriga espécies de rara beleza e importância paisagística, tais como bromélias, orquídeas e cactos.

Os manguezais localizam-se, principalmente, nos estuários dos rios, sofrendo influência das marés e das correntes fluviais, com solos periodicamente alagados e comunidade vegetal especialmente adaptadas. Apresenta um aspecto homogêneo com um restrito número de espécies vegetais, com destaque para as espécies arbóreas, que possuem raízes escoras e aéreas especiais (pneumatóforos), dentre outras adaptações fisiológicas.

3.2. Fauna

Devido a riqueza de nichos ecológicos oferecidos pelos ecossistemas da Mata Atlântica, a fauna da região é muito diversificada, apresentando espécies raras e endêmicas, com destaque para os mamíferos ameaçados de extinção: preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus), sagüi-de-tufo-branco (Callithrix penicillata kuhlii) e a lontra (Luntra longicaudis).

4. Comunidades

A população residente da APA é formada, basicamente, por trabalhadores rurais ligados à agricultura cacaueira e moradores ribeirinhos que possuem na pesca, caça e na agricultura de subsistência suas atividades mais importantes.

São geralmente descendentes de índios e negros, com hábitos inteiramente adaptados à vida ribeirinha. A presença da cultura indígena pode ser observada nos nomes dos lugares e coisas, como por exemplo: Sambaítuba, Urucutuca, Bacuparituba, Cuitatã, dentre outros nomes.

Estão dentro da APA os seguintes povoados: Aritaguá, Sambaítuba, Urucutuca, Areias e Castelo Novo.

5. Conflitos Ambientais

Os principais conflitos observados na APA são: a falta de saneamento básico, sem instalações de esgotamento sanitário e as poucas fossas sépticas que existem são mal construídas e encontram-se saturadas pelo nível do lençol fréatico. Existem, ainda, casos graves de casas que despejam seus dejetos no rio e ainda utilizam essa mesma água para banho. Observa-se também uma ocupação desordenada do solo originada dos pequenos aglomerados de casas simples dos pescadores e trabalhadores rurais. A pesca predatória praticada na lagoa é, sem dúvida, um dos principais conflitos observados, onde se utilizam redes-de-malha-fina, tarrafa, arpão e produtos químicos, além da captura de peixes e camarões com tamanho menor que o permitido. Devido a grande diversidade de animais e árvores na área, observa-se ainda a ação criminosa de caçadores e a retirada de madeira nativa.

6. Como Visitar

Saindo da Cidade de Ilhéus em direção ao norte, da estrada que liga Ilhéus a Uruçuca, pela margem esquerda do Rio Almada, chega-se a Sambaítuba, que, atualmente, é o ponto de partida para a Lagoa Encantada. Aí, onde os visitantes estacionam seus carros, partem barcos de passageiros para a lagoa, onde devem ter uma conduta de cuidados com o meio ambiente, no intuito de não jogarem lixo na água e nas margens da lagoa, não coletarem espécies da fauna ou da flora local, nem jogarem pontas de cigarro que possam causar incêndios.



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